Escrevo pois procuro algum sentido no meio de tanto sentimento.
Não é fácil compreender o mundo. Há dias em que eu apenas canso de existir.
São tantas coisas que tenho vontade de fazer. Mas parece impossível conseguir organizar tudo.
Escrevo para que eu não me perca. Para que eu possa continuar existindo apesar da minha finitude.
Me aterroriza pensar que não existirei mais daqui um tempo. Que outras pessoas estarão vivendo nos lugares em que um dia vivi. Espero poder aproveitar tudo que a vida me traz enquanto ainda há tempo.
Só paramos para pensar em como somos frágeis quando algo horrível acontece. Em questão de segundos uma vida inteira simplesmente para de existir. E quem mais sofre é quem fica por aqui.
Não é nada justo essas coisas acontecerem de forma repentina. Deixaremos nossas coisas exatamente da forma que ficaram. Não voltaremos para arrumar aquela bagunça que fizemos. Não estaremos mais com aqueles que nos importamos.
Quem dará a devida importância à coisas que somente nós nos importávamos?
Os livros que jamais iremos ler e filmes que jamais iremos assistir. Histórias e lugares que nunca iremos conhecer.
Há tanta coisa boa para se fazer! E tão pouco tempo para agir.
Mas um dia tudo será exatamente como era antes de eu existir. E eu não me importarei.
Quando escrevemos deixamos um pedaço de nós para que, no futuro, alguém por acaso encontre estas palavras e conheça pelo menos um pouco de quem eu fui.
Por isso amo criar. Amo a arte. Através dela podemos deixar um pedaço de nós no mundo.

